Investindo em Dividendos

O poder dos juros
compostos e da
reaplicação de
dividendos

Os juros compostos, também conhecido como “juros sobre juros” são mecanismos poderosos de geração de riqueza no longo prazo, e frequentemente menosprezados pelos investidores e pelas pessoas em geral.

Einstein supostamente teria dito que os juros compostos são a oitava maravilha do mundo e a mais poderosa força do universo. De fato, não sabemos se essa frase pode ser de fato atribuída a Albert Einstein, mas concordamos que os juros compostos são fantásticos e poderosos.

Os juros compostos nada mais são do que juros que se acumulam sobre o capital principal e também sobre os juros já acumulados em um investimento, ao contrário dos juros simples, que são mecanismos de investimentos que o juro é cobrado apenas sobre o valor inicialmente investido, nos juros compostos os juros e o retorno são pagos sobre o montante atualizado, que inclui os juros já recebidos.

Dessa forma, um investimento que está sendo afetado pelos juros compostos, receberá os juros ou rendimentos de sua aplicação, e o próximo juro recebido será não apenas sobre o valor inicial, mas sobre o montante total, incluindo os juros. Dessa forma, os juros compostos possibilitam um efeito multiplicador poderoso e mais rápido.

Imagine que um investidor aplique R$ 10.000,00 em um investimento de juros simples (Uma Letra de Câmbio, por exemplo), com duração de 5 anos e que pague 0,80% ao mês líquido de IR. Esse investidor receberá R$ 80,00 por mês durante esses 5 anos, pois os 0,80% remuneram sempre sobre o capital inicialmente aportado, e não o acumulado. (Juros simples.)

Ao final desse período, o investidor teria recebido R$ 4.800,00, ou seja, um retorno total de cerca de 48% sobre o capital inicial.

No caso de um investimento com juros compostos, como a taxa incide sempre sobre o montante atualizado, incluindo juros, o retorno acaba sendo muito superior, principalmente em períodos mais longos. Caso consideremos os mesmos R$ 10.000,00 aplicados em uma mesma aplicação, mas com juros compostos, o resultado obtido em juros nos mesmos 5 anos seria de R$ 6.420,49, portanto, um resultado cerca de 30% maior.

Usando os juros compostos através dos dividendos

No caso do investimento em ações, ou fundos imobiliários, os juros compostos também podem estar presentes, e podem gerar resultados ainda muito maiores, basta o investidor ter o hábito de reinvestir seus dividendos.

Entendemos que seja fundamental o investidor reaplicar seus dividendos durante a fase de formação de sua carteira previdenciária, já que é esse hábito que possibilitará a multiplicação do patrimônio no longo prazo.

Investir com foco em dividendos no longo prazo é uma tarefa que requer paciência e pode levar muito tempo até que o investidor adquira um montante que julgue razoável, mas os persistentes e pacientes são os maiores recompensados no longo prazo.

Quando o investidor recebe os dividendos e utiliza-os para comprar mais ações, o número de ações da carteira cresce, e o próximo pagamento de dividendos terá como base uma posição acionária maior.

Alguns Cases

Veja alguns exemplos do efeito multiplicador do reinvestimento dos dividendos no investimento em ações:

TAESA (TAEE11)

Como podemos ver no gráfico, o investidor que comprou R$ 100,00 em ações da empresa Taesa ao final de 2006, hoje teria quase R$ 1.000,00 de capital acumulado sem ter aportado um centavo a mais. Portanto, obteve um retorno absoluto de quase 900%. No mesmo período, o CDI bruto gerou um retorno de 200% e o Ibovespa de cerca de 70%. Diferença fantástica.

Já a linha vermelha representa o retorno do investimento em Taesa sem reinvestimento de dividendos. Nesse caso, o retorno do investidor teria sido próximo ao CDI, ou seja, 200%.

Reinvestir os dividendos teria gerado ao investidor de Taesa um resultado mais de 200% maior que o obtido sem o reinvestimento.

AMBEV S/A (ABEV3)

A Ambev também é um exemplo fantástico de como reinvestir os dividendos e deixar os juros compostos trabalharem faz toda a diferença no longo prazo. Perceba o resultado de reinvestimento de dividendos na linha azul contra o resultado do investidor que não reaplicou os proventos, demonstrados na linha vermelha:

O investidor que adquiriu R$ 100,00 em ações da Ambev há cerca de 22 anos atrás, nunca mais aportou valor algum e apenas reinvestiu todos os dividendos, hoje teria cerca de R$ 22.000,00. O capital se multiplicou por 220 vezes.

Já o investidor que não reaplicou os proventos também obteve um retorno expressivo, mas muito menor, tendo multiplicado o capital por cerca de 97 vezes.

Dessa forma, apenas o reinvestimento de dividendos possibilitou ao investidor obter um capital quase 130% maior. Mais que o dobro.

ETERNIT (ETER3)

A Eternit é uma empresa que hoje encontra-se em situação bastante adversa, e que não vem mais realizando pagamentos de dividendos.

Porém, no caso da Eternit, o reinvestimento de dividendos conseguiria inclusive livrar o investidor de amargar prejuízos com as ações nos patamares atuais, já que com o reinvestimento de proventos, o retorno nos últimos 16 anos teria sido de cerca de 500% contra um retorno negativo para o investidor que não reinvestiu os proventos:

SOUZA CRUZ (CRUZ3)

No caso de Souza Cruz, a vantagem de se reinvestir dividendos fica ainda mais destacada e a diferença é simplesmente absurda.

A multiplicação do capital que o investimento em CRUZ3, num período de 20 anos, proporcionou para quem reinvestiu os dividendos foi de 1800 vezes, contra cerca de 200 vezes para o investidor que não utilizou os juros compostos ao seu favor.

Portanto, como vimos nos exemplos, o hábito de reinvestir os dividendos permite a ação dos juros compostos sobre seus investimentos e o resultado final é simplesmente fantástico, fazendo toda a diferença no resultado de longo prazo e na criação de riqueza.

Obviamente chegará um ponto que o poupador irá necessitar ou deverá utilizar parte de seus dividendos para custear sua aposentadoria ou seu custo de vida, e nesse momento ele não poderá mais reinvestir todos os proventos, o que é natural, mas recomendamos que durante a fase de acumulação e formação de patrimônio, o investidor sempre tenha o hábito de reinvestir todos os proventos.

Dessa forma, o montante adquirido será muito maior, e em menos tempo, além desse hábito proporcionar uma geração de renda passiva muito maior que o investidor que nunca reinvestiu os proventos.

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